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Saúde (52)

Demorou alguns meses mais do que o esperado inicialmente, mas a partir desta quarta-feira (19), 16 farmácias do Uruguai começarão a vender maconha psicoativa de uso não medicinal e legalizada em pequenos pacotinhos de 5 gramas, que custarão 187,04 pesos, o equivalente a US$ 6,53. O produto só poderá ser comprado pelos 4.711 uruguaios (70% são homens e 30% mulheres) que se inscreveram no Instituto de Regulação e Controle do Cannabis (IRCCA). Estão excluídos da nova lei uruguaia estrangeiros não residentes no país, os 6.235 autocultivadores e membros dos 38 clubes de cannabis que existem no Uruguai.

A iniciativa (lei 19.172), que nasceu no governo do ex-presidente José Mujica (2010-2015) e torna-se realidade na gestão de seu sucessor, Tabaré Vázquez (ambos são hoje as duas principais figuras da esquerdista Frente Ampla, no poder desde 2005), terá neste começo um alcance bem menor do que o esperado. Das cerca de mil farmácias que existem no país, apenas 16 aceitaram vender o produto, em suas duas alternativas: "Alfa I" e "Beta I".

- Muitas farmácias não quiseram se arriscar e acham que não será um bom negócio - comentou um farmacêutico local, que pediu para não ser identificado.

As grandes redes de farmácia do Uruguai ficaram de fora da iniciativa, talvez em reação a pesquisas locais que mostram que a maioria dos uruguaios não está de acordo com a lei. Segundo trabalho realizado pela Equipos Consultores, 62% da população se opõe à venda de maconha nas farmácias. Entre os eleitores da Frente Ampla, 41% expressaram seu respaldo à medida.

A lei foi aprovada em 2013, mas demorou vários anos em ser regularizada. Será mais um passo de avançada do Uruguai, país que já legalizou o aborto (até a 12 semana de gestação) e a adoção de crianças por parte de casais gays.

Cada comprador deverá apresentar um documento de identidade e um software especial, instalado em cada uma das 16 farmácias aderidas, servirá para identificar as pessoas registradas e manter um controle de quanta maconha comprarão mensalmente.

Com a nova lei, o Estado assumiu totalmente o controle das atividades de plantação, colheita, produção, comercialização e distribuição. Cada pessoa poderá comprar até 40 gramas por mês e cultivar seis plantas. No caso de clubes ou cooperativas com 45 ou mais sócios, serão permitidas até 99 plantas.

O consumo de maconha é livre no país desde a década de 70. A grande revolução promovida por Mujica foi legalizar a produção e, principalmente, a venda em farmácias, medida inédita na região e no mundo.

O GLOBO

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta quarta-feira  (19) a comercialização de um lote do medicamento Lexotan 3 mg, indicado para combater ansiedade e estresse. O órgão classificou o lote RJ0874 (com validade até 01/2019)  como de "alto risco" após comunicado da fabricante Roche Químicos e Farmacêuticos confirmar a detecção de resultados abaixo da especificação do produto.

O produto também não pode mais ser distribuído aos pontos de venda a partir desta quarta-feira, de acordo com a resolução publicada no Diário Oficial da União. A publicação também determinou o recolhimento do estoque existente no mercado. Procurada, a Roche não retornou o contato até a publicação da matéria.

VEJA

Governo anunciou que irá usar biometria para controlar jornada de trabalho

 

 

O Ministério da Saúde vai usar a biometria para controlar a jornada de trabalho dos médicos que atuam na rede pública. A ideia é adotar o sistema em todas as unidades básicas de saúde para acompanhar horas trabalhadas e, simultaneamente, criar um controle de produtividade, com metas de atendimento.

"Vamos parar de fingir que a gente paga médicos, e o médico parar de fingir que trabalha. Isso não está ajudando a saúde do Brasil", disse o ministro Ricardo Barros no lançamento do programa, em que estava o presidente Michel Temer (PMDB).

As metas de produtividade ainda estão discussão. O plano inicial é estabelecer critérios de acordo com a atividade. Consultas, por exemplo, deverão obedecer ao padrão recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e ter, no mínimo, 15 minutos de duração. Os critérios adotados de forma conjunta têm como objetivo evitar, por exemplo, que o profissional apresse o atendimento para ir embora mais cedo, informou Barros.

"Um médico que tem quatro horas de jornada, por exemplo. Ele pode dedicar cinco minutos para cada paciente e ir embora. Temos de ter uma média de desempenho." Aqueles que não cumprirem a jornada de trabalho estarão sujeitos a processo administrativo.

Informatização

A biometria integra uma das políticas ditas por Barros como prioritárias de sua gestão: a informatização do SUS. Para tentar acelerar esse processo, a pasta deverá arcar com 50% dos gastos de prefeituras com a contratação de empresas de informática. A meta é de que todas as unidades básicas estejam informatizadas até o fim do ano.

O Ministério da Saúde não soube informar quantos serviços contam atualmente com biometria. Experiências foram relatadas em Goiânia, Maceió e na cidade paranaense de Pinhais. De acordo com Barros, onde o sistema já está em funcionamento metade dos médicos pede demissão. "Eles têm vários trabalhos e acabam abandonando o serviço quando há maior controle da jornada", disse. De acordo com Barros, a média de comparecimento de médicos identificada até o momento é de 30%. "Isso vai mudar com a biometria."

Ele disse ainda que a jornada de trabalho desrespeitada acaba criando uma sobrecarga de demanda em hospitais. "Lá o paciente sabe que vai encontrar médico." Ele admitiu, no entanto, que a simples adoção da biometria não será suficiente para reduzir vazios assistenciais. Assim que profissionais começarem a pedir demissão para fugir de maior controle, prefeituras terão de ofertar salários mais atraentes - isso explicaria a frase: "a gente finge que paga".

Reação

O Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou as declarações como pejorativas, inadequadas e reflexo da incapacidade de autoridades em responder às necessidades da população. A Federação Médica Brasileira atribuiu as críticas ao "desespero de tentar salvar um governo afundado em denúncias de corrupção".

A Associação Médica Brasileira (AMB) cobrou retratação e disse que o "ministro mostra absoluta falta de conhecimento sobre funcionamento e entraves do sistema". Na mesma linha, Lavínio Nilton Camarim, presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), destacou que no interior "profissionais têm tido a tolerância de ficar até quatro meses sem remuneração" e o governo tenta passar para os médicos "a responsabilidade de um mau atendimento".

Para o presidente do CFM, Carlos Vital, as afirmações de Barros são lastimáveis. "Não é justo com a classe médica."

Vital disse não ser contrário à adoção da biometria, mas observou que a medida, se de fato implementada, deveria valer para todos os funcionários. Já a opinião sobre as metas de produtividade, no entanto, não é a mesma. "Profissionais têm responsabilidade. Eles sabem exatamente o que tem de ser feito, não se arriscam de forma a colocar em risco o paciente." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Band

Um aparelho lançado nesta quinta-feira (13) no Japão promete ajudar aqueles que têm problemas com seus odores corporais. O Kunkun Body é um detector de cheiros que se conecta ao celular através de Bluetooth e avisa ao usuário caso algo esteja fora do aceitável, de acordo com o jornal "The Guardian".

Desenvolvido pela fabricante de câmeras fotográficas e impressoras Konica Minolta, o sistema foca nas regiões dos sovacos, da cabeça, dos pés e de trás das orelhas.

O aparelho promete detectar odores de suor e de gordura e é do tamanho de um pequeno gravador. O Kunkun Body é vendido por 30 mil yen (R$ 851).

g1

O jovem australiano Zac Mitchell, de 20 anos, passou por uma cirurgia inusitada no início do mês. Ferido em abril durante o trabalho numa criação de gado em Austrália Ocidental, ele teve o dedo polegar da mão direita decepado por um touro. Após duas tentativas sem sucesso de reimplante, os médicos decidiram realocar o dedão do pé no lugar do polegar.

— É uma ideia um pouco maluca — disse à BBC o cirurgião plástico Sean Nicklin, que realizou o transplante no Sydney Eye Hospital, há duas semanas. — (Os pacientes) não querem sofrer um ferimento em outra parte do corpo. Entretanto, mesmo que você tenha quatro dedos bons, se não tiver algo para fazer o movimento de pinça, sua mão perde grande parte da função.

Segundo Mitchell, o acidente aconteceu quando um touro imprensou sua mão contra uma cerca. O polegar foi decepado, mas seus colegas de trabalho o preservaram imediatamente após o acidente.

— Eles colocaram num isopor com gelo — contou o jovem.

Ele foi levado rapidamente para um hospital, mas os esforços para salvar o dedo falharam. A opção que restava era o implante do dedão. Mitchell foi bastante relutante, mas acabou concordando.

Agora, o jovem precisará de um período de 12 meses de reabilitação, mas ele pretende retornar ao trabalho na fazenda. De acordo com Nicklin, cirurgias como essa são raras, mas a realocação parcial do dedão acontece com frequência.

— Muitas pessoas pensam que o equilíbrio e o andar serão significativamente afetadas, o que geralmente não acontece — afirmou o médico.

 

Um painel da FDA, agência americana que regulamenta alimentos e medicamentos, recomendou nesta quarta-feira (12) a aprovação da primeira terapia 100% individual contra câncer no país. O tratamento em questão, fabricado pela Novartis e chamado CTL019, altera as próprias células do paciente, transformando-as no que os cientistas chamam de “droga viva”, de acordo com informações do jornal americano The New York Times, “programada” para combater a leucemia. O aval inédito deixa o medicamento um passo mais próximo da aprovação pela agência e abre caminho para uma nova era na medicina.

Em decisão unânime (10 a 0) o comitê da FDA afirmou que os benefícios da terapia superam seus riscos e recomendou sua aprovação para o tratamento de leucemia linfoblástica aguda de células B resistente ao tratamento ou com recidiva em crianças e jovens com idade entre 3 e 25 anos. Esse é o câncer mais comum diagnosticado em crianças, que representa aproximadamente 25% dos diagnósticos da doença em pacientes com menos de 15 anos. No entanto, o tratamento beneficiaria apenas os 15% dos casos nos quais a doença não responde ou volta.

Como funciona?

A terapia, desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e posteriormente licenciada à Novartis, envolve a remoção de milhares de células T, um tipo de glóbulo branco, do paciente, por um centro médico aprovado. Em seguida, essas células são congeladas e enviadas a uma fábrica da farmacêutica onde o processo de modificação é realizado por meio de uma técnica de engenharia genética que emprega uma forma inativa de HIV, o vírus causador da aids, para levar o novo material genético às células e reprograma-las.

Esse processo “turbina” as células T para que elas se liguem à proteína CD-19, presente na superfície de quase todas as células B – componente natural do sistema imunológico que se torna maligno na leucemia – e as ataquem.  As células T geneticamente modificadas, chamadas receptoras de antígeno quimérico, são aplicadas na corrente sanguínea dos pacientes, onde se multiplicam e começam a combater o câncer. Uma única célula é capaz de destruir até 100.000 células cancerígenas. Essa capacidade deu a elas o apelido de “serial killers”.

Em estudos, a re-engenharia dessas células demorava cerca de quatro meses e muitos pacientes faleceram antes do tratamento ficar pronto. Mas, durante a reunião do painel, a Novartis afirmou que esse período foi reduzido para apenas 22 dias.

No entanto, como toda abordagem que usa o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer, seus efeitos colaterais são graves. Alguns pacientes apresentaram febre desenfreada, pressão sanguínea no limite e congestionamento pulmonar. Outra ressalva dos especialistas foi em relação a possíveis danos futuros, ainda desconhecidos nesse tipo de terapia.

Por outro lado, uma única dose da nova terapia mostrou resultados surpreendentes: longas remissões e possíveis curas para pacientes que tinham suas esperanças esgotadas após todos os tratamentos disponíveis terem falhado.

Disponibilidade e preço

Como os efeitos colaterais demandam cuidados específicos, a Novartis afirmou que, se aprovado, o tratamento será inicialmente disponibilizado em cerca de 30centros treinados nos Estados Unidos. A companhia afirmou também que planeja submete-lo em outros mercados, como na União Europeia, até o final deste ano. No Brasil, a aprovação deverá demorar mais tempo.

Embora a companhia não tenha mencionado o preço, analistas ouvidos pelo The New York Times estimam que um tratamento assim possa custar mais de 300.000 dólares (cerca de 960.000 reais).

A Novartis não é a única a desenvolver terapias 100% individuais, mas está prestes a ser a primeira a ter seu tratamento aprovado. A empresa já está desenvolvendo técnicas similares para o tratamento de outros tipos de leucemia, mieloma múltiplo e tumor cerebral agressivo.  Em entrevista à VEJA no ano passado, Joerg Reinhardt, CEO da Novartis, afirmou sobre as terapias 100% individuais: “as primeiras serão lançadas na área da oncologia, mas logo haverá para diabetes e doenças do coração”.

VEJA

Beber café pode ajudar a viver por mais tempo, de acordo com dois amplos estudos internacionais divulgados nesta segunda-feira (10). Um deles indicou, inclusive, que os benefícios são decorrentes tanto do consumo da bebida com cafeína ou sem. No entanto, caso o café esteja quente demais, a alta temperatura pode ser um fator de risco de câncer de esôfago.

O primeiro estudo, dirigido pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS), e o Imperial College de Londres, concluiu que aqueles que participaram da pesquisa e que bebiam em média três xícaras de café por dia tendiam a viver mais tempo que os que não bebiam café. Para isso, os cientistas examinaram mais de meio milhão de pessoas em 10 países da Europa.

"Descobrimos que um maior consumo de café estava associado com um menor risco de morte por qualquer causa e especificamente por doenças circulatórias e digestivas", disse o autor principal do estudo, Marc Gunter, da Iarc.

O segundo estudo, que incluiu mais de 180 mil participantes de diversas origens étnicas nos Estados Unidos, encontrou benefícios para a longevidade independentemente do café ter cafeína ou ser descafeinado.

Os consumidores de café tinham um menor risco de morrer por doenças cardíacas, câncer, derrame cerebral, diabetes e doenças respiratórias e renais. Aqueles que bebiam uma xícara por dia tinham 12% menos chances de morrer em comparação com os que não bebiam café. Já os que bebiam duas a três xícaras por dia tinham seu risco de morte reduzido em 18%.

Os especialistas advertiram, no entanto, que os estudos americano e europeu, publicados na revista médica Annals of Internal Medicine, não demonstraram que o café seja realmente a razão pela qual muitos bebedores pareciam ter vidas mais longas.

Em vez disso, as pesquisas foram de natureza observacional, o que significa que mostraram uma associação entre o consumo de café e uma propensão à longevidade, mas não chegaram a provar uma relação de causa e efeito.

"Não podemos dizer que beber café prolongará sua vida, mas vemos uma associação", disse a autora principal, Veronica Setiawan, professora de medicina preventiva da Keck School of Medicine da Universidade do Sul da Califórnia.

"Se você gosta de beber café, beba! Se você não é um bebedor de café, então precisa considerar se deveria começar", acrescentou.

No entanto, é importante ficar atento para a temperatura da bebida no momento de consumi-la. Um relatório divulgado pela OMS, em junho do ano passado, apontou que é provável que a ingestão de bebidas muito quentes pode causar câncer. De acordo com o estudo, a temperatura superior a 65 graus é um fator de risco para que a doença apareça no esôfago.

Por outro lado, essa pesquisa também trouxe uma boa notícia para os amantes do café: não há dados que levem a crer que a substância por si só cause a doença na mama, na próstata e no pâncreas. Em se tratando de câncer de fígado e de endométrio, por exemplo, a bebida pode ser inclusive um fator protetor.

Para chegar a essa conclusão, um grupo de 23 pesquisadores ligados à Iarc analisou mais de mil estudos científicos feitos feitos na China, no Irã, na Túrquia e na América do Sul para verificar a relação entre o consumo de café e mate e a ocorrência do câncer. A organização constatou, então, que a temperatura pode ocasionar a doença, não as substâncias.

EXTRA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu ontem (10) o lote 486773A do medicamento genérico Omeprazol 40 mg, pó liofilizado para solução injetável. O remédio é usado para o tratamento de úlceras gástricas e gastrite e o lote suspenso pela Anvisa foi fabricado pela Eurofarma Laboratórios S.A e tem validade até dezembro de 2017.

De acordo com a agência, a própria Eurofarma afirmou que o lote apresenta falhas técnicas nos rótulos. A empresa será a responsável pelo recolhimento do lote 486773A do Omeprazol.

Consumidor

A Anvisa aconselha que o consumidor que tiver Omeprazol do lote suspenso entre em contato com o serviço de atendimento (SAC) do fabricante para ser orientado sobre a troca. Os outros lotes do medicamento podem ser usados normalmente.

VEJA

De acordo com um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a população brasileira é a mais deprimida da América Latina. Essa triste constatação acaba de receber reforço de um levantamento realizado pela SulAmérica: em seis anos, houve um salto de 74% no número de antidepressivos adquiridos pelos segurados dessa operadora. Foram 35 453 unidades em 2010 contra 61 859 em 2016.

Seguindo a tendência global, o estudo encontrou maior prevalência do uso desses medicamentos entre mulheres e pessoas a partir dos 50 anos. Atualmente, os antidepressivos ocupam a segunda posição na lista de remédios mais vendidos contra desordens do sistema nervoso, com 6% do total na categoria.

O primeiro lugar pertence aos analgésicos, que somam 10% das vendas. Já os ansiolíticos estão em terceiro. Aliás, a demanda pelos fármacos usados contra a ansiedade também avançou demais: de 17 197 unidades para 36 179 no mesmo período, o que corresponde a um incremento de 110%.

No interior do cérebro, a depressão pode ser explicada como um desequilíbrio químico que diminui a disponibilidade de substâncias essenciais para o bem-estar e a disposição. Um exemplo é a serotonina, neurotransmissor que regula, entre outras coisas, humor, apetite, funções intelectuais e sono — não à toa, a doença é uma das mais incapacitantes do mundo. O restabelecimento dessas moléculas no cérebro pode, sim, ser feito com a ajuda dos medicamentos.

Agora, o que funciona em pacientes não necessariamente se aplica a outro. Às vezes, o acompanhamento de um psicólogo é a melhor arma (e pode ser recomendado em sessões individuais ou em conjunto). Com a escalada global da depressão, é mais importante do que nunca saber que existem alternativas para sair da melancolia profunda. E o primeiro passo é buscar ajuda.

 

Alguns pensam no conforto. Afinal, usar fralda pode ser prático para os pais, mas andar com essa grossa capa de plástico não deve ser cômodo para os bebês, sobretudo quando estão úmidas.

Outros dizem que o meio ambiente é o principal motivo. Uma criança costuma ser ensinada a usar a privada entre os 2 e 3 anos. Se usar uma média de quatro fraldas por dia, ao fim de dois anos e meio, serão descartadas 3.650 fraldas não biodegradáveis.

Em maior e menor medida, essas são as razões mais comuns apontadas por pais que decidiram adotar um método incomum para evitar o uso de fraldas.

Em inglês, chama-se Elimination Communication (comunicação da eliminação), termo que faz referência à comunicação necessária com o bebê para saber quando ele precisa "eliminar", ou seja, fazer xixi ou cocô.

De acordo com a técnica, observar a criança permite entender seu ritmo natural de evacuação e as pistas que ela dá quando fica com vontade, como sons e movimentos do corpo.

Os pais devem levar o bebê para o banheiro diante destes sinais, já nos primeiros dias de vida.

Pode parecer complicado a princípio, mas os defensores da prática garantem que as evacuações das crianças não são tão aleatórias quanto se pensa.

"Existe a noção de que os bebês evacuam de forma inesperada e constantemente durante o dia, mas é o contrário, eles fazem isso de forma natural, em momentos previsíveis, como ao acordar e depois de comer", publicaram recentemente dois médicos americanos que testaram o método com seu terceiro filho, em um editorial da revista especializada Pediatrics.

O pediatra Jeffrey Bender e sua mulher Rosemary explicam no texto que é possível usar sinais sonoros, como um zumbido ou um assobio suave. "Com a prática, muitas crianças aprendem a fazer suas necessidades quando estão na posição correta e escutam o sinal."

Adeptos do método afirmam que é possível começar a aplicá-lo já nos primeiros dias de vida da criança

Adeptos do método afirmam que é possível começar a aplicá-lo já nos primeiros dias de vida da criança
Foto: BBCBrasil.com

Mas o método não é baseado em treinar a criança. O bebê não precisa "segurar" ou aprender a se controlar, porque só será capaz de fazer isso com seu desenvolvimento fisiológico.

O que a técnica propõe é treinar os pais para que eles adquiram uma sintonia neste aspecto com seus filhos. Como consequência, algumas famílias garantem que as crianças deixaram de usar fraldas durante o dia desde os 12 meses de idade.

Quais são as vantagens e desvantagens?

Os pediatras não costumam recomendar uma idade específica para começar a treinar uma criança a usar a privada. Segundo o serviço de saúde pública britânico, o NHS, a maioria dos pais começa a pensar nisso entre os 18 meses e 2 anos.

"É melhor ir devagar e no ritmo do seu filho", recomenda o NHS em seu site.

De acordo com as diretrizes gerais dos pediatras, o método sem fralda não afeta negativamente a saúde das crianças.

Mas há especialistas que criticam o método, sob o argumento de que a maturação da bexiga e do cérebro do bebê ocorre tipicamente entre os 24 e 36 meses de vida.

Os defensores da prática dizem que, além da economia de dinheiro e menor impacto ambiental, há a vantagem de se desenvolver uma maior conexão com o bebê e de haver menos risco de irritação de pele ou dermatite.

Mas não há grandes benefícios para a saúde da criança.

A espanhola Patricia Verdú usou o método com sua filha quando a menina tinha 14 meses, porque a bebê começou a rejeitar a fralda. "Via ela com as fraldas de plástico, e me parecia ser algo muito incômodo", diz Patricia à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Ela começou a buscar informações na internet sobre o assunto e encontrou o site Go Diaper Free (Livre-se das fraldas, em tradução livre do inglês), da americana Andrea Olson, mãe de três filhos e autora de vários livros sobre a Elimination Communication.

Olson criou sua própria metodologia e treinamentos.

Patricia nunca havia ouvido falar disso até então. Ela diz que o método ainda hoje é muito desconhecido, e pessoas próximas a ela veem tudo isso com certo ceticismo. "Para mim, era uma novidade enorme, mas desde o começo me pareceu muito coerente", diz ela.

"A verdade é que foi um sucesso. Em questão de dois meses, deixamos de usar fralda durante o dia. Logo começamos também de noite, que é o mais difícil, porque significa que você precisa acordar para fazer isso. Ao redor dos 20 meses, minha filha já não usava fralda de noite. Fiquei muito feliz, porque via que ela estava mais cômoda."

Patricia fez cursos com Olson e hoje forma outras pessoas para praticarem o método nas Ilhas Canárias. Agora, prestes a dar à luz de novo, ela espera adotar a estratégia desde o princípio com seu segundo filho.

É possível se os pais trabalham?

Olson e outras especialistas desta técnica, como Laurie Boucke e Ingrid Bouer, dizem que, sim, ainda que os dois pais trabalhem, é possível seguir a técnica-la de "forma parcial", a praticando na primeira hora da manhã, no fim do dia e nos finais de semana.

Técnica pode ajudar o meio ambiente e dar comodidade à criança, mas não traz nenhum benefício significativo à saúde

Técnica pode ajudar o meio ambiente e dar comodidade à criança, mas não traz nenhum benefício significativo à saúde
Foto: BBCBrasil.com

"Não somos contra a fralda, ela é uma ferramenta", explica Patricia, acrescentando que pode ser algo prático em uma viagem de carro ou em uma visita à casa de amigos. A ideia é fazer "um uso consciente e pontual da fralda", sem que a criança dependa exclusivamente dela.

Patricia diz que a ajudou a ter sucesso incorporar o método aos cuidados diários com a filha: assim como ficava atenta para ver se tinha fome ou frio, também prestava atenção para saber se tinha vontade de fazer xixi ou cocô. Ela diz não ser mais difícil, mas admite que às vezes pode ser trabalhoso.

"Há muitas pessoas que aplicam a técnica durante o dia e usam a fralda à noite, porque é mais importante descansar bem em vez de ficar levantando de madrugada para levar a criança à privada", conta ela.

E, se por um lado torna-se mais fácil limpar a criança e se gasta menos panos úmidos do que quando se usa uma fralda, há sempre o risco de haver acidentes - aliás, acidentes acontecem com ou sem fralda, seja qual for a idade da criança.

Manter os bebês limpos e secos continua a ser um dos grandes desafios dos pais, seja qual for o método que eles sigam.

BBC BRASIL

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